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SDGs for All

SDGs for All is a joint media project of the global news organization International Press Syndicate (INPS) and the lay Buddhist network Soka Gakkai International (SGI). It aims to promote the Sustainable Development Goals (SDGs), which are at the heart of the 2030 Agenda for Sustainable Development, a comprehensive, far-reaching and people-centred set of universal and transformative goals and targets. It offers in-depth news and analyses of local, national, regional and global action for people, planet and prosperity. This project website is also a reference point for discussions, decisions and substantive actions related to 17 goals and 169 targets to move the world onto a sustainable and resilient path.

Mulheres africanas respondem à emergência da fome durante a COVID-19

Ponto de vista de Linda Eckerbom Cole

A escritora é a Diretora/Fundadora do African Women Rising e desloca-se entre Santa Bárbara, na Califórnia, e Gulu, na Uganda.

SANTA BÁRBARA, Califórnia (IDN) – O African Women Rising (AWR) criou uma campanha para construir 2.000 novos jardins de permacultura, o que ajudará a alimentar 15.000 pessoas em situação de risco que estão enfrentando escassez de alimentos devido à COVID-19. Os jardins de permacultura possibilitam que as comunidades satisfaçam as próprias necessidades alimentares e são uma solução de longo prazo para a fome.

Já faz dois meses que Margaret não consegue vender seus peixes no mercado da região. As restrições implementadas para evitar a propagação da COVID-19 no norte da Uganda provocaram consequências devastadoras para ela e sua família. Sem outras fontes de renda, a família está com dificuldades.

Margaret é idosa e não tem forças para trabalhar no campo. Como o marido é cego e tem a saúde debilitada, Margaret é a principal responsável por sustentar os oito netos sob os cuidados do casal. Eles reduziram o consumo de alimentos para uma vez por dia.

Essa é a situação de muitas das mulheres nas comunidades onde o African Women Risin atua.

As restrições também estão afetando o 1,4 milhão de refugiados do sul do Sudão na região, pois eles são incapazes de acessar os mercados, os campos agrícolas ou outras fontes de renda. Para agravar a situação, o Programa Alimentar Mundial (PAM) reduziu as distribuições de alimentos devido à falta de financiamento. Os refugiados recebem alimentos uma vez por mês, mas eles só duram duas semanas.

Em resposta, o African Women Rising está expandindo rapidamente o nosso programa de jardins de permacultura para alcançar as famílias mais vulneráveis e com insegurança alimentar, tanto nos campos de refugiados como nas comunidades de acolhimento. Um jardim de permacultura é um método comprovado e regenerativo que pode começar a produzir alimentos no prazo de duas semanas e é capaz de sustentar uma família por vários anos.

Mais do que ensinar técnicas, os programas de Culturas e Jardins de Permacultura com Design Resiliente do African Women Rising compartilham os princípios por trás do manejo da água e do solo e desenvolvem uma compreensão contextual para projetar um sistema que seja o mais produtivo e regenerativo possível. Os programas do AWR têm 24 indicadores diferentes focados na agroecologia que eles acompanham.

O objetivo geral do Programa de Jardins de Permacultura é aumentar o acesso a fontes diversas e nutritivas e quantidades adequadas de frutas e legumes durante todo o ano. Os fazendeiros fazem isso através do projeto e da construção de pequenos jardins de permacultura em torno de suas residências.

O método do jardim de permacultura combina componentes da permacultura – uma abordagem agrícola que utiliza princípios do design para aproveitar sistemas naturais para a produção – e da agricultura biointensiva, uma abordagem agropecuária que maximiza a produção de culturas através de práticas sustentáveis que aumentam a biodiversidade, a fim de criar um complexo altamente produtivo.

Ele foi desenvolvido para funcionar tanto na estação chuvosa como na seca e é uma abordagem que envolve todo o complexo, melhorando a fertilidade do solo e o manejo da água para produzir alimentos nutritivos. O método mostra como agricultores com um pedaço pequeno de terra conseguem produzir alimentos durante todo o ano ao aprender os princípios corretos por trás da plantação e da gestão de recursos e ao unir esses princípios às práticas fundamentais.

A abordagem ajuda a satisfazer as necessidades alimentares de curto prazo dos agricultores do programa ao mesmo tempo em que desenvolve sua resiliência no longo prazo. Os agricultores aprendem a gerir os recursos naturais através do design intencional de seus complexos, da coleta de água e do fluxo de resíduos para melhorar a fertilidade e a produtividade das hortas.

A gestão das árvores existentes e o plantio de outras árvores frutíferas e multifuncionais, uma cerca viva e outras plantações de biomassa fornecem materiais para construção, substâncias contra pragas, nutrientes para a estação seca e remédios. Isso ajuda a reduzir as pressões sobre o meio ambiente – como a obtenção de lenha, a coleta de alimentos silvestres, a queima de carvão – que continuarão se agravando com o passar do tempo.

Para alcançarmos outras 2.000 famílias vulneráveis (impactando mais de 15.000 indivíduos), precisamos arrecadar US$ 200.000,00.

Um jardim custa apenas US$ 100 e inclui:

  • três partes separadas de treinamento, com duração de três dias cada,
  • sementes e árvores frutíferas, e
  • visitas mensais e suporte técnico durante um ano.

Mary começou seu jardim de permacultura em 2014. Viúva, sem-terra e responsável por quatro netos, sua vida pode ser um desafio. Seu jardim de permacultura fica bem ao lado da casa e esbanja produção durante todo o ano. Ela cultiva mamão, tomate, abóbora, quatro tipos de verduras, cebola, inhame, pimentão, quiabo, maracujá e frutas cítricas.

Em 4,5 m2, ela consegue produzir o suficiente para sempre ter algo para comer. Ela inclusive produz comida a mais, a qual tem vendido no mercado e para os vizinhos. Com essa renda semanal, ela tem conseguido comprar itens essenciais, como sal, sabonete e materiais escolares. Ela também investiu em galinhas e em cabras.

O sucesso de Mary não é exceção. Resultados como esse são comuns no nosso programa de Jardins de Permacultura, e temos os dados para comprovar. As famílias obtêm segurança alimentar, uma nova fonte de renda, podem investir em bens, matricular os filhos na escola e pagar assistência médica. Os jardins de permacultura podem proporcionar alívio em tempos de instabilidade, um auxílio que não é apenas paliativo, mas que oferece soluções de longo prazo.

Ajude-nos a difundir o sucesso da Mary para aqueles que mais precisam. Seu apoio pode contribuir muito para garantir que mulheres como Margaret tenham as ferramentas e as habilidades necessárias para sustentar suas famílias agora e daqui a muitos anos.

Devido à pandemia da COVID-19, a Uganda foi efetivamente fechada. Desativamos temporariamente os nossos programas, exceto por um aumento nas atividades agrícolas direcionadas e regenerativas para garantir que as pessoas tenham acesso a alimentos.

Nossos funcionários foram realocados em resposta à COVID-19, especialmente nos campos de refugiados. Há 1,4 milhão de refugiados em 11 campos no norte da Uganda. Um surto nos campos levaria a um desastre humanitário. Além dos programas de Jardins de Permacultura, o African Women Rising está distribuindo sabonetes, instalando estações para a lavagem das mãos e fornecendo informações sobre como evitar a disseminação do vírus. Esta é uma emergência crítica. [IDN-InDepthNews – 13 de junho de 2020]

Foto: Margaret com uma de suas netas. Crédito: Brian Hodges para o African Women Rising.

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